FANTASMAS AMEDRONTAM O MUNDO FLUTUANTE DAS GUEIXAS
As gueixas, para melhor ou para pior, são a cara do Japão. Mas na última década, a sensação de que, no futuro, a economia vai ser ainda mais desalentadora, está afugentando as gueixas dos negócios e a quintessência imagem da Terra do Sol Nascente enfrenta a sua substituição por prostitutas comuns e laçadores de clientes de pachinko. Os distritos de gueixas estão se tornando rapidamente extintos. Durante a década de 60, o Japão ostentava 35 hanamachi, ou distritos das flores, os nomes dados às áreas onde as gueixas trabalhavam e atuavam. Agora, há apenas meras seis áreas sobrando.
Ryotei, as dispendiosas hospedarias de estilo japonês freqüentadas por poderosos e influentes, os lugares onde as gueixas exerciam seu ofício, estão também em franco declínio, caindo para um décimo dos 524 que operavam há uns poucos 30 anos. Sem lugar para trabalhar, as gueixas não têm muitas opções na vida. Resta a elas pendurar o quimono, despachar os fãs, o shamisen e encontrar um trabalho de verdade. Em nenhum lugar a crise vem sendo tão sentida quanto em Tóquio e na antiga capital de Kyoto, os últimos bastiões das gueixas. “Extirparam o coração de Asakasa [em Tóquio]. Quando parecia que as ryotei estavam fechando para dar lugar aos pachinkos, os pachinkos estão, por sua vez, sendo engolidos pelas sex-shops. “Pode-se ver um montão de estabelecimentos desse gênero em apenas um prédio. Os velhos sujos preferem isso. Asakasa entrou em decadência”, conta uma ex-gueixa.
O destino tem também desferido um grande golpe a muitas das ryotei antes exclusivas do bairro de Asakasa, um lugar onde os figurões decidiam as questões mais prementes do Japão. Algumas se tornaram apartamentos, enquanto a Kinryu, um dos poucos estabelecimentos de estilo japonês que restam, sobrevive apenas com a receita advinda das tarifas dos estacionamentos de 100 ienes a hora, montados de ambos os lados da construção. “Desde que o primeiro-ministro Junichiro Koizumi chegou ao poder, temos visto cada vez menos pessoas do que antes”, conta um residente local. “Restam apenas 20 gueixas e só duas ou três aprendizes. A cidade perdeu seu brilho.”
A história é similar em outros distritos de gueixa de Tóquio. Numa primeira olhada, Shinbashi, o parque da riqueza, parece mais do que capaz de manter suas tradicionais artistas com o pagamento em dia. Mas as sex-shops estão pipocando em todos os lugares e os donos de algumas ryotei estão aplicando aos seus estabelecimentos um visual moderno, fugindo do passado tão vital para as gueixas. Asakusa, que já foi o lar de mais de mil gueixas, agora tem menos de cinquenta.
Um grande incômodo para Kagurazaka são as ruas estreitas e a falta de estacionamento. Sem falar que as gueixas que restam estão ficando cada dia mais velhas. Só Mukojima parece estar prosperando. “Temos pelo menos 200 gueixas. A maioria delas é jovem. Tudo permanece em segredo. Assim, temos políticos de ambos os lados”, confidencia o dono de um café local. “Além disso, estamos também bem longe do centro de Tóquio, tornando mais improvável um encontro por acaso com alguém que você conhece.”
Já Kyoto está lutando tanto quanto a capital. Suas casas de chá, o equivalente as ryotei de Tóquio, também têm minguado desde seu ápice dos anos 50 aos anos 60. O que está indo para o ralo é agora quase parte integrante do negócio. As madames estão ficando velhas e ninguém quer assumir o controle para elas. “As casas de chá estão sendo desmanteladas e sendo substituídas por hotéis e estacionamentos. Construa um hotel e você estará arruinando a atmosfera dos velhos distritos de gueixas”, desabafa uma ex-proprietária de casa de chá.
Uma vez que as casas de chá e as okiya (o outro tradicional estágio para as gueixas) estão desaparecendo, tornou-se uma luta encontrar mulheres dispostas a virarem geiko, o nome para gueixa, em Kyoto, ou maiko, a aprendiz de gueixa da antiga capital do país. Recentemente uma união de casas de chá juntou forças para tentar recrutar novas garotas tiradas do público em geral, mas o resultado foi menos do que satisfatório. “Trabalhar como geiko é duro”, explica uma fonte da casa de chá. “Não há dois dias de folga por semana nesse trabalho. E você tem de passar por um rigoroso treinamento para aprender a dançar. É, provavelmente, um estilo de vida que as jovens de hoje não conseguem suportar.”
Ryotei, as dispendiosas hospedarias de estilo japonês freqüentadas por poderosos e influentes, os lugares onde as gueixas exerciam seu ofício, estão também em franco declínio, caindo para um décimo dos 524 que operavam há uns poucos 30 anos. Sem lugar para trabalhar, as gueixas não têm muitas opções na vida. Resta a elas pendurar o quimono, despachar os fãs, o shamisen e encontrar um trabalho de verdade. Em nenhum lugar a crise vem sendo tão sentida quanto em Tóquio e na antiga capital de Kyoto, os últimos bastiões das gueixas. “Extirparam o coração de Asakasa [em Tóquio]. Quando parecia que as ryotei estavam fechando para dar lugar aos pachinkos, os pachinkos estão, por sua vez, sendo engolidos pelas sex-shops. “Pode-se ver um montão de estabelecimentos desse gênero em apenas um prédio. Os velhos sujos preferem isso. Asakasa entrou em decadência”, conta uma ex-gueixa.
O destino tem também desferido um grande golpe a muitas das ryotei antes exclusivas do bairro de Asakasa, um lugar onde os figurões decidiam as questões mais prementes do Japão. Algumas se tornaram apartamentos, enquanto a Kinryu, um dos poucos estabelecimentos de estilo japonês que restam, sobrevive apenas com a receita advinda das tarifas dos estacionamentos de 100 ienes a hora, montados de ambos os lados da construção. “Desde que o primeiro-ministro Junichiro Koizumi chegou ao poder, temos visto cada vez menos pessoas do que antes”, conta um residente local. “Restam apenas 20 gueixas e só duas ou três aprendizes. A cidade perdeu seu brilho.”
A história é similar em outros distritos de gueixa de Tóquio. Numa primeira olhada, Shinbashi, o parque da riqueza, parece mais do que capaz de manter suas tradicionais artistas com o pagamento em dia. Mas as sex-shops estão pipocando em todos os lugares e os donos de algumas ryotei estão aplicando aos seus estabelecimentos um visual moderno, fugindo do passado tão vital para as gueixas. Asakusa, que já foi o lar de mais de mil gueixas, agora tem menos de cinquenta.
Um grande incômodo para Kagurazaka são as ruas estreitas e a falta de estacionamento. Sem falar que as gueixas que restam estão ficando cada dia mais velhas. Só Mukojima parece estar prosperando. “Temos pelo menos 200 gueixas. A maioria delas é jovem. Tudo permanece em segredo. Assim, temos políticos de ambos os lados”, confidencia o dono de um café local. “Além disso, estamos também bem longe do centro de Tóquio, tornando mais improvável um encontro por acaso com alguém que você conhece.”
Já Kyoto está lutando tanto quanto a capital. Suas casas de chá, o equivalente as ryotei de Tóquio, também têm minguado desde seu ápice dos anos 50 aos anos 60. O que está indo para o ralo é agora quase parte integrante do negócio. As madames estão ficando velhas e ninguém quer assumir o controle para elas. “As casas de chá estão sendo desmanteladas e sendo substituídas por hotéis e estacionamentos. Construa um hotel e você estará arruinando a atmosfera dos velhos distritos de gueixas”, desabafa uma ex-proprietária de casa de chá.
Uma vez que as casas de chá e as okiya (o outro tradicional estágio para as gueixas) estão desaparecendo, tornou-se uma luta encontrar mulheres dispostas a virarem geiko, o nome para gueixa, em Kyoto, ou maiko, a aprendiz de gueixa da antiga capital do país. Recentemente uma união de casas de chá juntou forças para tentar recrutar novas garotas tiradas do público em geral, mas o resultado foi menos do que satisfatório. “Trabalhar como geiko é duro”, explica uma fonte da casa de chá. “Não há dois dias de folga por semana nesse trabalho. E você tem de passar por um rigoroso treinamento para aprender a dançar. É, provavelmente, um estilo de vida que as jovens de hoje não conseguem suportar.”

1 Comments:
As gueixas não são na verdde homens vestido de mulher?
Renato
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